sábado, 21 de novembro de 2009

O Paulistano e a Paixão pela Cidade



O paulistano acorda cedo. Lá pelas 4 horas da madrugada já tem gente se levantando para pegar no batente. Momento em que começa a saga. Com dificuldades e belezas, todos os dias a experimentam milhões de pessoas na disputada metrópole.


Antes de chegar no ponto do coletivo, esse camarada andou, talvez muito, talvez pouco, mas andou. E nessa caminhada levou de fumaça de caminhão no rosto a susto com trombadinha. A cidade é grande e perigosa. É preciso estar atento, sempre observando tudo, com a bolsa bem presa ao corpo.


Para além das dificuldades, durante o trajeto, ele também percebeu que possui um emprego, coisa bastante escassa em outras regiões do país e ainda se deparou com diferentes rostos, característicos de todos os lugares do mundo ou que misturam aspectos deles.


Às 5 horas da manhã, ônibus e trens lotados já saem dos terminais rumo aos empregos com carteira assinada ou não de cada um. A viagem costuma ser longa, cheia de baldeações, e bem espremida, envolta pelo calor humano e o empurra–empurra proveniente da pressa bem própria dos moradores locais .


O desconforto dessa hora e, muitas vezes, a quantidade de pessoas ao redor impedem que, o agora passageiro, vislumbre algo além dos carros parados e das buzinas. A paisagem é toda cosmopolita. Construções futuristas e prédios antigos, locais abandonados e outros bem cuidados, parques no meio do caminho, gente chique e gente cafona, uns com dinheiro enquanto outros nem mesmo esmola.


Depois de chegar ao trabalho, ele faz jus ao nome da atividade. Mas na pausa para o almoço, dá um respiro necessário e merecido. Há muitas opções mesmo com pouca “grana” no bolso. Os tais rostinhos diferentes, encontrados pela manhã, trouxeram seus sabores para São Paulo, único lugar em que se pode comer pão de queijo no café da manhã, feijoada no almoço e pizza no jantar, dentre muitíssimas outras variações.


O segundo tempo começa e todos voltam aos escritórios, construções, faxinas, lojas, ou seja, ao lavoro, como diz o pessoal do Bexiga, contando os minutos para fazer o caminho de volta.


E todo mundo volta junto. Uma beleza! 18 horas, horário de pico. Paulistano sabe bem o que é isso. A falta de ar agravada pelo cheiro de quem deu o suor durante todo o dia faz dessa viagem algo inesquecível.


Assim passa a semana que chega ao seu fim. O retorno de sexta-feira já é até mais feliz. Agora sim é hora de aproveitar tudo o que a cidade tem para oferecer. Proletário também precisa se divertir, não? E a vida cultural dessa grande metrópole é tão movimentada quanto o deslocamento de seus habitantes para o trabalho.


Museus, teatros, cinemas, parques, restaurantes para todos os gostos e bolsos. Dos moradores das ruas aos dos casarões dos Jardins, a população tem acesso a uma efervescência cultural constante, porém, mais importante que isso, ela tem aquela alegria que só brasileiro entende.


Com um sorriso no rosto, o paulistano segue, já esquecido das agruras cotidianas e na cabeça somente a certeza do que já cantava o Premê: “É tão lindo andar na cidade de São Paulo”.


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Seja quem quiser

Imagine um lugar cheio de pessoas fantasiadas de tudo quanto é personagem. Tudo mesmo! De Sakura a Coringa. Visualizou? Estranho? Se você como eu nunca tinha ouvido falar desse tipo de reunião, hoje eu te apresentarei ao mundo do Cosplay. Ah! E não precisa ficar com um pé atrás. Não é nada de outro planeta.


A prática que começou numa conferência de ficção científica norte-americana com um cara chamado Forrest J. Ackerman, atravessou o oceano, ganhou fama no Japão e se expandiu pelo mundo todo. A idéia é ser um ícone escolhido, seja quem for, durante os eventos.


E esse negócio de “ser” é levado bastante a sério. As caracterizações são impecáveis. Cada detalhe precisa ser idêntico ao original. “Quando fiz a Satine, do Moulin Rouge, bordamos até a parte interna da roupa”, conta Lola Maki, cosplayer há 10 anos.


Esse trabalho exige tempo e bastante dedicação. Lola conta que este cosplay demorou cerca de 3 meses para ficar pronto. Mas nem todos os confeccionam pessoalmente, apesar de sempre participarem da produção. Hoje, existem lojas físicas e online especializadas em Cosplay que oferecem uma infinidade de roupas e acessórios para esse público.


O esforço é admirado e ainda pode ser recompensado. Competições acontecem todo ano para premiar os melhores. As mais importantes no Brasil são a Yamato Cosplay Cup (YCC) e a Wolrd Cosplay Summit (WCS). Essa última somente para caracterizações ligadas á cultura japonesa.


Gerson Freitas venceu o último YCC. Jack, como gosta de ser chamado, afirma que fazer o Máskara e ainda levar o título por isso foi emocionante. “Foi o filme que eu mais vi na infância”, conta. E também aquieta os ânimos dos medos iniciais de quem não entende o hobby. “A vida fora dos eventos é normal. Nada de comprar pão de peruca ou revista com asas enormes”, garante.


Se interessou? Então acesse:


www.cosplaeyers.net

www.cosplaybr.com.br


domingo, 27 de setembro de 2009

A Arte como Prazer e Relaxamento

O torso de gesso

O que é a arte? Alguns definem a arte como algo rebuscado, técnico, outros como algo revolucionário, inovador. Henri Matisse acreditava que a arte deveria trazer prazer e relaxamento a quem a faz e a quem a admira.

O artista francês, morto em 1954, pela primeira vez, tem uma exposição dedicada a si no Brasil. Desde o dia 05 deste mês a Pinacoteca do Estado de São Paulo expõe "
Matisse Hoje". Com 80 itens, - pinturas, esculturas e gravuras- a exposição mostra a busca incessante deste colorista pela harmonia e serenidade em suas obras.

Matisse era um perfeccionista. Só se dava por satisfeito quando tivesse certeza de estar passando a mensagem desejada para os que vissem suas obras. E um apaixonado pela arte. Quando acamado, passou a pedir que seus empregados pintassem tecidos com cores previamente preparadas por ele que depois seriam cortadas em diversos formatos e comporiam novas obras.


O cavalo, a amazona e o palhaço.

O grande colorista francês marcou profundamente a arte. Essas marcas são discutidas na exposição a partir do diálogo de suas obras com cinco outros artistas franceses contemporâneos, entre eles Cécile Bart e Pierre Mabille.

A exposição "
Matisse Hoje" e "Diálogos com cinco artistas franceses contemporâneos" faz parte das comemorações do Ano da França no Brasil e vai até 01 de novembro.

Pinacoteca do Estado
www.pinacoteca.org.br
Praça da Luz, 2 - Bom Retiro - São Paulo/SP
Tel: +55 11 3324 4990

terça-feira, 18 de agosto de 2009

No Busão: Cantoria


Chacoalha de cá, amassa de lá
Um pouco de ar
Difícil encontrar....

Podre. Eu sei. Mas é bem isso que vive quem pega o famoso “busão” por volta das 18h na Grande São Paulo. É um calor humano inacreditavelmente quente. Todo o espaço é preenchido por expressões de cansaço e desânimo. O sentimento em comum é o desejo de chegar logo ao destino.

Por esses dias, contudo, o ambiente “down” não intimidou duas peças raras que resolveram colorir uma viagem. Minha localização espremida, em pé, ao fundo do coletivo não me deu uma boa visualização, mas pude ver alguém de blusa de linho e boné beges de costas para mim e um sorridente rapaz, também de boné, só que azul, e desprovido dos quatro dentes frontais superiores, a sua frente. Em pé, na direção da porta intermediária do coletivo, iniciaram uma conversa animada sobre música.

Eis que foi formada a dupla. Primeira voz para o de bege. Animação e segunda voz para o de azul, que começava:
Cê conhece aquela música do Jorge Aragão?
Claro!
Respondia o outro.
Manda aí, manda aí!
Malandro
(droo)
Eu ando querendo
Falar com você
(ceeeee)
Você tá sabendo
Que o Zeca morreu
(euuu)
Por causa de brigas
Que teve com a lei
(eiiii)

Em concordância com as duplas sertanejas, o grosso da letra ficava com a primeira voz, enquanto a segunda cuidava dos contra cantos, neste caso as últimas sílabas dos versos.

Cheios de caras e bocas, os espectadores se entreolhavam enquanto escondiam risadinhas e faziam comentários maldosos. Isso não incomodou os cantores que continuavam.

Cê conhece o Dorival Caymmi?
Conheço
Então manda aí…

Começava mais uma melodia. Nada foi cantado por inteiro. Assim, de trecho em trecho, o repertório foi até mais dinâmico e abrangente.

O sorridente se empolgou tanto com os dotes musicais do seu companheiro que fez a sugestão: Tua voz é bonita! Tu devia investir na carreira de cantor! As gargalhadas abafadas se proliferaram. Mas a zombaria e o desdém não foram unanimidade na plateia. Como qualquer artista, não conseguiram agradar a todos, porém seu público foi formado. O da camisa bege e seu parceiro de finais de frases receberam comentários positivos de outros passageiros. Duas senhoras de meia-idade sentadas a minha frente elogiaram a escolha das músicas. Só MPB, não é?! Uma dizia a outra. E sejamos honestos. Não era mesmo nada de machucar os ouvidos. Vai ver era inveja da alegria alheia.

De qualquer modo, a opinião dos outros não era uma preocupação que pairava sobre as cabecinhas cantantes. Assim seguimos, ao som de MPB cantada, talvez com pouca afinação, mas com muito gosto e espontaneidade.

*Anna Rachel Ferreira*

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Sebos: salvação dos bolsos estudantis


Listinha na mão, tênis nos pés e muita disposição. Todo início de semestre figuras assim andam por aí, a fim de completar a árdua tarefa de comprar os livros solicitados pelos professores ao menor custo.


Os universitários, tadinhos, são uns dos que vivem falidos e dão graças pela existência dos sebos ou alfarrabistas, como preferem os amigos lusitanos. São nestes locais que acontecem troca, compra e venda de livros usados. De um em um, lá vamos nós, tentar encontrar os títulos e comprá-los dentro do orçamento espremidinho de sempre.


Em São Paulo não faltam opções. O centro velho é cheio deles, logo, é lá que se encontra um dos mais famosos de sua espécie: O Sebo do Messias. Fundado por um mineiro de Guanhães que dá nome a rede, possui três grandes lojas, paradas obrigatórias para quem está nessa busca.


No entanto, todavia, contudo, a tecnologia chegou até mesmo no mundo das antiguidades. Isso mesmo! Tudo on. É possível encontrar o que procuramos nos sites dos próprios sebos ou no estante virtual. Ideia do carioca André Garcia, o estante é um portal que transformou o comércio de livros de segunda mão, pois reúne em um só endereço todos os que quiserem disponibilizar seus livros para a venda.


Sebo do Messias
Praça João Mendes 166 e 140

Rua Quintino Bocaiúva 166
www.sebodomessias.com.br


Estante Virtual
www.estantevirtual.com.br


*Anna Rachel Ferreira*

terça-feira, 21 de julho de 2009

Leitura de férias: Asne Seierstad



Asne Seierstad, jornalista norueguesa, ficou famosa ao descrever o cotidiano de uma família afegã em "O Livreiro de Cabul". Na época, o país estava em evidência devido aos ataques norte-americano em nome da Guerra contra o Terror, o que levou o livro a ultrapassar a marca de 3 milhões de exemplares vendidos.

Correspondente de guerras há 15 anos, a experiência de Asne vai muito além do Afeganistão. A jornalista também esteve na Tchetchênia, Sérvia e Iraque viagens que lhe renderam 3 outros livros:
Crianças de Grozni, De Costas para o Mundo e 101 Dias em Bagdá, respectivamente.

O que a caracteriza acima de tudo é a sinceridade e o retrato de pessoas comuns. Ela não tem medo de dizer o que pensa, mas sempre deixa claro o porquê de seu posicionamento como quando questiona a situação das mulheres da família do livreiro observando que está opinando como uma mulher ocidental.

Em 101 Dias em Bagdá não é diferente. Este livro se assemelha bastante a um diário. Há momentos em que a correspondente compartilha suas expectativas, ansiedades, inseguranças e até mesmo seus medos. Conta o que vê, ouve e sente. Da amizade com sua intérprete a emoção ao ver o sofrimento do povo ao lidar com a perda de pessoas tão queridas. É terrível, mas tão honesto e envolvente que o leitor se sente transportado a Bagdá e não quer voltar sem antes conhecer mais.

Este livro é mais poético do que o que fala sobre a família de Sultan Khan e só confirmou a minha admiração por essa escritora que traz com beleza realidades tão cruéis sem ser piegas ou desonesta.

Fica aí minha dica de leitura para as férias.


*Anna Rachel Ferreira*

domingo, 28 de junho de 2009

Foto na lata


Uma lata de tinta = câmera fotográfica. Será? Fiquei com um pé atrás quando me falaram do projeto desenvolvido pela ONG ImageMágica, criação do fotógrafo André François. A dúvida despertou a curiosidade e fui obrigada a ir conferir.


No início do mês fui até o Campo Limpo participar da Multiplicação que a turma do Projeto Arrastão estava fazendo. Esse evento é uma das partes que compõe a Escola Olhar, carro chefe da organização que também trabalha com os projetos fotográficos do seu fundador. As outras partes são as aulas de fotografia, a capacitação de educadores e a exposição dos trabalhos no final do curso.


A etapa que acompanhei nada mais é do que uma oportunidade para os alunos compartilharem com colegas e pessoas da comunidade o que têm aprendido ao longo do curso. Eles adoram e explicam tudo na maior empolgação. Fui orientada por Jenifer da Silva, 17 anos, quase o tempo todo. Ela me ajudou a fazer a foto que posto agora, versão negativa e positiva.


O lema da ImageMágica é “Perceber o mundo em que se vive é o primeiro passo para modificá-lo” e essa percepção é desenvolvida através da foto artesanal. O fato de o processo ser mais lento torna obrigatória uma reflexão sobre a foto antes do clique. “Eles têm que pensar no que fotografar, no que eles têm para dizer”, explica a coordenadora pedagógica Ana Silvia Forgiarini. E parece que o objetivo tem sido alcançado. Jenifer conta que com o curso pode perceber que uma coisa aparentemente pequena pode expressar muito em uma imagem. "Hoje eu sei que pequenas coisas podem dizer muito", finaliza.


Para saber mais entre em www.imagemagica.org.br